Centros de convivência para idosos são alternativas para famílias
Reprodução/RBS TV
“Aqui é vida”: é assim que a aposentada Terezinha de Almeida, de 64 anos, resume a rotina no Centro Dia do Idoso, na Zona Sul de Porto Alegre. De segunda a sexta-feira, ela troca as tarefas de casa por uma programação de atividades, convivência e cuidados.
“Aqui, a gente é bem tratada. Se não viesse para cá, estaria só fazendo meu serviço de casa e na cama, deitada, só com meus problemas. Aqui é vida.”
A experiência também mudou a rotina de João Carlos Silva de Campos, 66. Depois de se aposentar, ele sentiu falta da atividade que fazia parte do dia a dia.
“Eu estava acostumado a estar sempre na função e, quando parei, comecei a me sentir mal. Aqui, para mim, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Está sendo ótimo para minha mente. Me sinto em casa.”
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João e Terezinha estão entre as 30 pessoas idosas atendidas diariamente pela unidade. O Centro-Dia funciona das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. O usuário chega pela manhã e volta para casa no fim do dia.
E a programação vai muito além de preencher o tempo. São exercícios físicos, atividades para estimular a memória e o raciocínio, terapias, ações culturais e momentos de convivência. A proposta é trabalhar diferentes aspectos do envelhecimento e ajudar a preservar a autonomia e os vínculos sociais.
“É pensado de forma bem ampla, a partir da necessidade desse momento da vida, no sentido de incentivar perspectivas de fortalecimento da memória, do raciocínio lógico, da convivência, do fortalecimento de vínculos, de uma forma integral”, explica a gerente do local, Helena de la Rosa da Rosa.
Segundo ela, o trabalho também busca ampliar as possibilidades de participação dos idosos na sociedade:
“Pensando tanto nas questões de sociabilidade, de reforço muscular, quanto da possibilidade de acesso à cultura, acesso à cidade. As diferentes perspectivas que possam ser fortalecidas, mesmo, na dimensão de uma qualidade de vida nessa faixa etária”.
Envelhecimento da população aumenta demanda
A importância de serviços como esse cresce junto com o envelhecimento da população. No Rio Grande do Sul, 20% dos habitantes têm 60 anos ou mais. É uma parcela da população que demanda políticas públicas voltadas não apenas à saúde, mas também à convivência, à autonomia e à proteção social.
Os Centros Dia integram a política pública de assistência social e são destinados a pessoas idosas e suas famílias. O objetivo é oferecer atendimento durante o dia, evitando situações de isolamento e contribuindo para a manutenção da autonomia.
Atualmente, existem quatro no Rio Grande do Sul, sendo dois em Porto Alegre e dois Caxias do Sul. Eles são 100% municipais.
Serviço é gratuito
Para frequentar as unidades, é necessário encaminhamento dos Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS, ou de unidades de saúde de referência. O atendimento é gratuito para todos os usuários.
Em Porto Alegre também existe a possibilidade de transporte para quem precisa. O pedido passa por uma avaliação técnica e, quando aprovado, o deslocamento é feito por uma van disponibilizada pela prefeitura.
Estado prevê modelo semelhante
O governo do Rio Grande do Sul trabalha para ampliar a oferta desse tipo de serviço. Por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), foram lançados editais para incentivar a implantação de estruturas parecidas.
No total, R$ 39,5 milhões foram destinados ao programa em dois editais — R$ 20,5 milhões em 2024 e R$ 19 milhões em 2025. Esses recursos contemplaram 45 municípios que aderiram à iniciativa e são destinados às obras dos locais de atendimento. O custeio das operações deve ficar por conta das prefeituras. Até o momento, 11 iniciaram as obras.
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Fonte: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/09/07/centro-dia-convivencia-rs.ghtml
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